segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Um Abismo atrai abismos

Na manhã daquele domingo no labirinto, o Menino descobriu o que lhe faltava para ser feliz. Eu seu contexto e estórias de vida, sempre percebeu que algo lhe faltava, mas não sabia  o que era. 

Começou a pensar que amar a Deus com toda as potências do seu coração significava muito mais que qualquer ser possa imaginar, alegria eterna sem fim. Refletiu.

Como é fatal ao homem descobrir que seu chamado de amor é a eternidade numa dimensão de terra ainda aqui na terra, e fazer de sua vida uma doação de cruz e ressurreição sem medo, sem receios. Nada ter, sem nada possuir, sem nada receber, sem nada querer... a não ser ardentemente amar ao Bom Rei com todas as propriedades de um coração adorador.


Não há como não sentir que a brasa viva de amor de um coração que a tudo se dispõe por amor a Deus, não tenha a força de ser feliz fazendo o outro feliz. Sorriu. Vocação.

O Menino estava certo do que descobrira. Havia um abismo. Seu abismo! E quão grande foi seu desconcertamento ao perceber que eram dois! Fendas enormes, porém, com caráteres distintos: uma finita, humana, limitada. A outra, Infinita, divina, plena. Casa de Deus.

Dessa forma, ele refletiu chorando. Era isso que lhe faltava! Perceber e entender que seu abismo era abraçado pelo o do Bom rei. Sempre. Instintivamente! O Menino percebeu que era preciso que o homem se dobrasse aos encantos de uma santidade que enlaça duas pessoas que não podem mais ficar longe uma da outra.

Na verdade é mais do que isso, pois vai além das relações meramente humanas. Era o interlace do humano e o Divino. Homem e Deus. Diferentes e iguais, devido a semelhança que os une, mas é o Onipotente e o fraco sustentado pela graça.

O desejo de eternidade com o eterno.

Entendeu, por fim o Menino! Sorriu-lhe a Rainha, rodeada por girassóis. O Bom Rei resplandecia. Trindade que se faz Una. Enxergou a Florista e o Amigo. Contemplou a Deus nos irmãos que, sem dúvida, iluminam o caminho para outros que não mediram esforços para morrerem e definitivamente dizerem e viverem a letra de uma bela canção: "Dois abismos que se abraçam e se enlaçam, num laço de amor eterno e alegria sem fim."

''Abismo gera abismo...'' (Salmo 42, 7).




Um comentário:

Raquel de Serpa disse...

Muito bom João!