sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A Rainha

''Meu filho! termina o dia…

A primeira estrela brilha…
Procura a tua cartilha,
E reza a Ave Maria!

O gado volta aos currais…
O sino canta na igreja…
Pede a Deus que te proteja
E que dê vida a teus pais!

Ave Maria!… Ajoelhado,
Pede a Deus que, generoso,
Te faça justo e bondoso,
Filho bom, e homem honrado;

Que teus pais conserve aqui
Para que possas, um dia,
Pagar-lhes em alegria
O que sofreram por ti.

Reza, e procura o teu leito,
Para adormecer contente;
Dormirás tranquilamente,
Se disseres satisfeito:

''Hoje, pratiquei o bem:
Não tive um dia vazio,
Trabalhei, não fui vadio,
E não fiz mal a ninguém''


Olavo Bilac


Caía a noite. Para o menino era sempre difícil. Não sabia o por quê. Na verdade, sabia em partes. Lembrava da avó, sua rainha, ligando a rádio e sintonizando o Terço para rezá-lo espartanamente todos os dias ali no sertão. A noite chegando, as 'Aves' sonorizando o pôr-do-sol e mais um dia escurecia. Solidão.

A noite trazia consigo seus luzeiros próprios. Desde pequeno, o menino gostava da luz. A mesma que quebrou as amarras de outrora, junto à misericórdia. Quando faltava luz, sua rainha trazia-lhe pequenas velas. Brincava. Alegrava-se. A escuridão tinha outra conotação: alegria. Contradição. Infância!

Antes mesmo, devo dizer que a rainha ensinou com sua corte maternal, o conhecimento de outra Rainha. Mais majestosa, mais Augusta, mas tão Mãe quanto as outras. RainhaMaria! Mãe. A Ave Maria ensinada. A Save rainha cantada. o Angelus. AngeLUZ. Luz!

O menino traz consigo a marca da realeza maternal desde sempre, pois o amor em terra, sua rainha, ensinou-lhe perfeitamente o que era amar. Nos seus medos, quis, conforme já foi dito, esconder-se no cantinho do bolso do vestido da rainha. Sempre quis. Sempre quer. Quererá. Hoje não cabe mais ali. Amanhã... Não quero falar sobre isso. Não agora...

A rainha trouxe ao labirinto do menino a Rainha. Realezas dispares e tão nobres. Pesos e medidas. Ou uma só medida? O amor. A parte em que se encontrava a morada do menino no labirinto, era mais linda e mais feliz quando visitada pela rainha. Olhinhos marcados pelo tempo. Chorosos. Pele rosada, cabelos branco neve. Algodãozinho. Linda, ela. Histórias. Cumplicidades. Hoje dispersa em seus pensamentos. Querendo às vezes ir embora, mas sempre cuidando, sempre zelando. Amando. Gerúndio.

Uma vez, o abraço adjetivo; o amigo; fez pelo menino aquilo que a rainha faria caso encontrasse-o perante às Negras Grades do Portal Rosado: abraçaria-o. Acolheria-o. Colocaria-o no canto do bolsinho. Seriam um. E fomos.

Tudo isso para quando a noite chegar, ele não ter medo, mas perceber que era a Rainha trocando as vestes de Céu: antes claras pelo sol, agora cintilantes pela lua. Estrelas. Pedidos. Cumplicidades.

Fica bem, menino. A noite chega e vai. Com ela, vem o dia. O sol do Amor. O amor, que a rainha sempre te deu para que você uma dia dissesse: Totus Tuus.

Obrigado, Mãe. Pelas minhas mães. Minhas pequenas rainhas. Todo Teu!

+M

Até breve!

João.

Ü


2 comentários:

Leilane Barros disse...

Só queria lhe dizer que suas palavras são tão doces de ouvir que meu coração deglute e assimila sem esforços ou resistências.
Que nossa Rainha reine sempre em nosso lares, em nossos corações, nos dando conforto, consolo e amor que só ela sabe proporcionar. :)

João Henrique Viana disse...

Obrigado, Leilane! Que essa graça que Deus concede seja sempre utilizada para esse fim: promover no outro alegria e entendimento. :)