terça-feira, 21 de junho de 2011

A História de Nossa Senhora Menina



A imagem de Nossa Senhora Menina foi modelada em cera em 1735 pela Irmã Isabella Chiara Fornari(1697-1744), em Todi, Itália. Em 1738 essa imagem foi comprada pelo Bispo de Milão, Alberico Simonetta. Mais ou menos um ano após a sua morte a imagem foi para as irmãs capuchinhas do Monastério de Santa Maria dos Anjos. As freiras desse convento passaram então a venerar Nossa Senhora Menina porque elas se dedicavam à educação de jovens. Logo essas irmãs tornaram-se devotas fervorosas do mistério da Natividade de Maria. Durante a supressão das congregações religiosas (nos anos 1800) a imagem de Maria Menina ficou sob a custódia da irmã Bárbara Viazzoli, que foi a última freira capuchinha a guardar essa imagem. Logo depois de sua morte a imagem foi dada ao pároco da Igreja de São Marcos, Frei Luigi Bosisio, que, por sua vez, confiou a imagem à Madre Superiora Teresa Bosio das Irmãs de Caridade do Hospital Ciceri, em 1842. Em 24 de abril de 1876 a imagem de cera foi trazida para o lugar onde está até hoje, na Maternidade das Irmãs de Caridade, em Milão.Durante todo esse tempo a devoção a Nossa Senhora Menina ficou limitada às freiras e noviças daquela comunidade. A imagem era usualmente exposta no Noviciado e somente ia para a capela no dia da Natividade de Maria, dia 8 de Setembro e também durante as Oitavas (um período de oito dias que incluía o dia da festa seguido de mais sete dias). No entanto, o tempo e as festas deixaram marcas na imagem de cera. A face se tornou descolorida e amarelada, sem vida. A imagem foi então removida do Noviciado e passou a ser guardada numa grande cômoda. Todo ano alguém a retirava dali e a levava até a capela, mas somente no dia da Natividade de Maria e nas Oitavas.A partir de 9 de setembro de 1884 Nossa Senhora Menina começou a recompensar seus devotos. A Irmã Giuseppa Woinovich ficou entrevada e sentia dores terríveis devido à paralisia de seus braços e pernas. Em 8 de setembro ela implorou à Madre Superiora que trouxesse a imagem de Nossa Senhora Menina para a enfermaria para que ela pudesse passar a noite. Na manhã seguinte a Madre Superiora teve a idéia de levar a todas as outras doentes da enfermaria aquela velha e maltratada imagem para que todas pudessem venerá-la. Naquela enfermaria havia uma noviça muito devota chamada Giulia Macario, que não podia andar devido a uma grave doença. Fervorosamente ela tomou a imagem em seus braços e pediu a Maria Menina a graça de ter sua saúde de volta. Imediatamente ela foi curada.Após esse milagre a imagem foi guardada no quarto da Madre Superiora. Em 18 de outubro de 1884 vestiram a imagem de Maria Menina e a colocaram num lindo berço. Ela foi solenemente carregada e colocada entre dois candelabros, num quarto que ficou sendo sua capela provisória. Ali as Irmãs podiam parar para rezar assentadas no único banco que havia no aposento.Nos meses seguintes outras duas Irmãs foram miraculosamente curadas pela intercessão de Nossa Senhora Menina. 



Muitas graças e milagres aconteceram pela devoção de Maria Menina. Em 16 de janeiro de 1885 as Irmãs começaram a testemunhar uma incrível transformação. Daquela imagem de cera amarelada, cinzenta e sem vida começou a surgir cor e vivacidade e a imagem passou a ser tão linda quanto o rosto de um bebê.Em 8 de setembro de 1888 a Madre Superiora Clementina Lachman levou Maria Menina para sua nova capela. Em 31 de Maio de 1904 a imagem foi solenemente coroada pelo Cardeal Ferrari e em setembro de 1909 o Papa Pio X concedeu indulgência plenária para visitas às capelas das Irmãs de Caridade a todo dia 8 de setembro. Nos anos subseqüentes uma corrente de fraternidade em honra a Maria Menina e a “Liga da Inocência” foram criadas. Passou a ser costume dar de presente uma pequena imagem de Nossa Senhora Menina aos casais recém-casados. A devoção a Maria Menina se espalhou a partir de Milão para toda a Itália.Durante a segunda guerra mundial, em 24 de outubro de 1942 o convento foi atingido por bombas. Em fevereiro de 1942 levaram a imagem para um lugar seguro, na Via Maggianico. Durante os dias 15 e 16 de agosto de 1943, devido aos constantes bombardeios, o santuário e o convento ficaram em ruínas. No entanto, a destruição do santuário não deteve as freiras e as pessoas em Milão e foi feita a celebração da festa da Natividade de Nossa Senhora. Em 4 de setembro de 1945 Nossa Senhora Menina retornou a Milão. Depois do terceiro dia de celebração em sua honra ela foi provisoriamente instalada em uma capela próxima ao convento. Em 18 de novembro de 1953 ela foi levada ao novo santuário e, no dia 21 o novo santuário foi consagrado pelo Cardeal Schuster.A cada ano na festa da Natividade de Nossa Senhora as Irmãs tocam pequenos chumaços de algodão na imagem de Nossa Senhora Menina. Esses chumaços são distribuídos entre os devotos como relíquias.

Oração à Nossa Senhora Menina:


Flor de Primavera, Lírio de Pureza,
Doce Ventre de Ana que guardou o Coração da Mãe de Deus.
Maria,beleza Infantil, Coração de Criança,
Alma Delicada que todos os anjos veneram.
Sede a minha inspiração, Menina Pura de Deus
Sede a minha força, Encanto do Espírito Santo
Sede para mim a Luz que me leva ao céu
Maria, menina, ensina-me a amar a Deus como tu o amastes
Desde a mais tenra idade
Orgulho do Filho de Deus,
Rogai por mim e obtenha de Deus a pureza de criança para a minha alma.
Amém.

Promessas desta oração

  1. Todos aqueles que assim fizerem, terão a minha proteção materna durante toda a sua vida.
  2. As crianças que recitarem esta oração jamais se perderão.
  3. Os doentes, moribundos, que ofenderam o meu Filho com pecados de impureza, verão a minha misericórdia socorrê-los.
  4. As gestantes, em trabalho de parto, que rezarem esta oração verão o meu auxilio materno.
  5. As religiosas que se encontrarem em luta contra as forças infernais verão banido todo o mal.
  6. Aqueles que recitarem em família verão o meu auxilio em forma de graças abundantes.

Obs.: A Virgem fez compreender que podemos rezar sempre e até devemos, mas ficará muito feliz se rezarmos esta oração nos cinco dias antes do seu aniversário.

Óh Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

domingo, 19 de junho de 2011

Envelhecer : com mel ou fel ?



Conheço algumas pessoas que estão envelhecendo mal. Desconfortavelmente. Com uma infelicidade crua na alma. Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias. Um rancor cobre-lhes a pele, a escrita e o gesto. São críticos azedos do mundo. Em vez de críticos, aliás, estão ficando cítricos, sem nenhuma doçura nas palavras. Estão amargos. Com fel nos olhos.
 
Envelhecer deveria ser como plainar. Como quem não sofre mais (tanto) com os inevitáveis atritos. Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente*, e vai gastando nenhum-quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula no cosmos.
Os elefantes, por exemplo, envelhecem bem. E olha que é uma tarefa enorme. Não se queixam do peso dos anos, nem da ruga do tempo e, quando percebem a hora da morte, caminham pausadamente para um certo e mesmo lugar - o cemitério dos elefantes, e aí morrem, completamente, com a grandeza existencial só aos grandes permitida.
Os vinhos envelhecem melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. E vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados e, porque velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente. E dão prazer.
O problema da velhice também se dá com certos instrumentos. Não me refiro aos que enferrujam pelos cantos, mas a um envelhecimento atuante como o da faca. Nela o corte diário dos dias a vai consumindo. E, no entanto, ela continua afiadíssima, encaixando-se nas mãos da cozinheira como nenhuma faca nova.
Vai ver, a natureza deveria ter feito os homens envelhecerem de modo diferente. Como as facas, digamos, por desgaste, sim, mas nunca desgastante. Seria a suave solução: a gente devia ir se gastando, se gastando, se gastando até desaparecer sem dor, como quem, caminhando contra o vento, de repente, se evaporasse. E iam perguntar: cadê fulano? E alguém diria - gastou-se, foi vivendo, vivendo e acabou. Acabou, é claro, sem nenhum gemido ou resmungo.

Especialistas vão dizer que envelhece mal o indivíduo que não realizou suas pulsões eróticas essenciais: aquele que deixou coagulada ou oculta uma grande parte de seus desejos. Isso é verdade. Parcial, porém. Pois não se sabe por que estranhos caminhos de sublimação há pessoas que, embora roxas de levar tanta pancada na vida, têm, contudo, um arco-íris na alma.
Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores. Walt Whitman tem um poema onde vai dizendo: "Penso que podia ir viver com os animais que são tão plácidos e bastam-se a si mesmos".
Ainda agora tirei os olhos do papel e olhei a natureza em torno. Nunca vi o Sol se queixar no entardecer. Nem a Lua chorar quando amanhece.
 
(SANT'ANNA, Affonso R. de. "Coleção melhores crônicas". São Paulo: Global, 2003.)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Busco a Tua voz


Ouça aqui!

Onde estás? Porque não respondes?
Fala-me? Onde te escondes?
Necessito da Tua presença, minha alma busca a Ti.
 

Espírito, que dás vida ao mundo,
Coração que bate no profundo,
Apaga os pecados da terra e cobre-a de liberdade.


Sopra vento que tens a força de mudar
Fora e dentro em mim,
Este mundo que agora gira em, gira em torno a Ti.

Sopra bem aqui, entre as casas, nas estradas da minha cidade.
Tu nos impulsionas até um ponto
Que representa o sentido do tempo, do tempo de unidade.


Levanta-me, e cura as feridas, preenche estas mãos vazias.
Sou muitas vezes assim sem uma meta,
E sem Ti o que farei?
 

Espírito, oceano de luz, fala-me busco a tua voz.
Costura com fio de ouro a minha história
E tece-a de eternidade